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Consultório de Astrologia

Possessão e psicografia



Descrita pelos especialistas como uma mudança de comportamento marcante na personalidade de uma pessoa, a possessão é levada muito a sério por alguns, mas explicada através dos céticos como uma doença que afeta o cérebro. Os espíritas, por exemplo, entendem que só alguém que consinta, pela sua fraqueza ou pelo seu desejo, poderá encarnar alguma entidade. Um dos meios que os espíritos utilizam para se comunicarem com o ser humano é a psicografia, muito difundida no Brasil pelo médium Xico Xavier. Saiba mais sobre estes assuntos que têm apaixonado o mundo

 

 

 

Aqueles que indubitavelmente acreditam na possessão, entendem que qualquer pessoa poderá ser possuída, independentemente de ter dons mediúnicos ou não. As entidades possuidoras, carregadas de boas ou más intenções, pretendem vampirizar energeticamente os seus “donos”, de forma a alimentar as suas forças. Há quem diga que o corpo possuído pode ou não sentir a presença desse espírito, que se pode alojar no peito, na barriga ou no útero, sugando as energias da pessoa e debilitando-a. 

 

Os mais entendidos nestes assuntos, alertam para as invocações espíritas em vão. Estes rituais devem ser conduzidos por alguém experiente e não por ignorantes que não sabem que estão a lidar com entidades mais poderosas que o seu próprio espírito. De repente, sem se aperceberem podem provocar estragos irremediáveis, já que uma possessão pode durar dias, semanas ou décadas.

 

Como reconhecer a possessão?

 

Reconhecer alguém que é possuído não é tão difícil quanto parece. São visíveis muitos sinais, como ausência de memória e consciência dos seus atos, bem como um certo vazio no seu olhar.  Há que diferenciar, obviamente, estas situações daquelas pessoas que

 

têm na verdade má índole, como agressores, ladrões ou assassinos. Mas é nos olhos que está a diferença. No olhar da pessoa encontrará a diferença!

 

Para o espírito mal-intencionado é mais fácil apoderar-se do corpo de alguém que se descontrola, pois dessa forma será mais fácil dominar os seus pensamentos e encaminhá-lo a executar as ações que essa entidade pretende. O ser desencarnado tem também alguma tendência para se apoderar dos corpos de pessoas viciadas em alguma substância, que devido a essa fraqueza, se tornam só por si mais fracos e mais controláveis pelo espírito.

Existem mais do que um tipo de possessão. A parcial, que pode ser provocada pelos desencarnados, por demónios ou elementais da natureza e que ao se “instalarem” nos corpos escolhidos alimentam-se da energia vital dos mesmos, condicionando-lhes a sua vida e também daqueles que os rodeiam. Porém, este tipo de possessão pode ser ou não sentida pelo possuído, pois isso dependerá da finalidade que a entidade pretende ao entrar nesse corpo. Poderá querer controlá-lo, ou somente “roubar-lhe” alguma força. Já a possessão completa tem no seu possuído um desfecho mais infeliz. O espírito passa a controlar totalmente a consciência do possuído e o seu corpo é comandado pela entidade obsessora.

 

 

Possessões reais inspiram a ficção

 

 

 

O Exorcismo de Emily Rose

 

A história do filme, um padre é julgado pela morte de uma menina chamada Emily Rose, durante um ritual de exorcismo e através de flashbacks é possível assistir aos acontecimentos que se passaram com esta rapariga e às manifestações sobrenaturais que se abateram sobre ela. A película é baseada nos acontecimentos reais passados no seio de uma família católica alemã. A sua filha, Anneliese Miche, começou aos 16 anos a apresentar sintomas estranhos, muito parecidos com a epilepsia. Ela acreditava estar possuída pelo demónio, tinha constantes alucinações e atitudes agressivas.  O desespero da família perante o drama, fez com que procurassem um bispo local, depois de nenhum médico encontrar solução para o problema. Este membro da igreja católica realizou um ritual de exorcismo, durante 10 meses seguidos. As sessões não trouxeram melhoras a Anneliese e após esse tempo, a rapariga começou a recusar comer e beber, acabando por morrer enquanto dormia. A autópsia revelou que a causa da sua morte foi desnutrição e desidratação. Tanto os pais da menina, como o bispo que realizou o exorcismo foram acusados de homicídio por negligência e falta de assistência médica.

 

O filme, o Exorcismo de Emily Rose, baseia-se na história verídica da alemã Annelise Michel, que acabou por morrer vítima de desidratação e desnutrição.

 

Annelise Michel, que aos 16 anos começou a manifestar um comportamento inexplicável.

 

Annelise durante um dos rituais de exorcismo.

 

 

A Possessão

O argumento deste filme conta a história de uma família que após se mudar para uma casa onde ocorreram terríveis assassinatos começam a assistir a

 

alguns fenómenos sobrenaturais. Supostamente, forças do mal perturbam a paz daquela família durante 28 dias seguidos, altura em que decidem tomar uma atitude para tentar ultrapassar a situação. A película, que deu origem a uma sequela de três filmes, é baseada na história da família Lutz que diz ter vivido momentos de terror, após se ter mudado para a casa que em 1974 ainda era habitada pela família Defeo, em Amitville, Nova Iorque, nos EUA. Testemunhas contam que nesta altura, um dos filhos dos Defeo, Ronald, entrou desesperado num bar da cidade gritando: “alguém tem que me ajudar. Acho que os meus pais estão mortos”. O pequeno grupo que o seguiu até casa ficou chocado com o que encontrou. Os seus pais, e os quatro irmãos, com idades entre os 18 e os 9 anos de idade jaziam nas suas cama, mortos com um tiro. Ronald foi levado para a esquadra e confessou o crime dizendo que: “quando comecei, simplesmente não consegui parar. Foi tão rápido”. Ele chegou a dizer que teria sido possuído pelo demónio, mas acabou por ser condenado a 150 anos de prisão no dia 21 de novembro de 1975, mesmo tendo o seu advogado alegado insanidade mental. Na altura, os criminalistas ficaram um pouco intrigados com o crime, isto porque as seis vítimas estavam todas deitadas nas suas camas, sem sinais de luta e a arma usada por Ronald não possuía silenciador. Como era possível ninguém da família ter ouvido os primeiros disparos? Essa dúvida levantada fez suspeitar de que poderia ter estado mais alguém envolvido na barbárie. Teria sido o filho dos Defeo possuído por alguma entidade sobrenatural?

 

Algum tempo depois, a família Lutz ocupou a casa da tragédia, mas apenas conseguiram ficar por lá 28 dias. Eles relataram que era impossível viver num local onde se passavam constantemente situações inexplicáveis. As portas batiam constantemente, os móveis eram arrastados e uma estranha substância verde escorria pelas paredes. Os Lutz atribuíram todos estes acontecimentos ao drama que se passara naquela casa, mas especialista que estudaram a habitação durante muitos anos, revelaram que nada de estranho se passava por lá e que provavelmente os Lutz estavam apenas a aproveitar-se da situação para conseguir atenção e fama. Para além dos filmes, foram anda escritos cinco livros sobre esta história verídica.

 

Três versões do filme baseado na história da família Lutz.

 

O casal Lutz, Kathy e George, que dizem ter testemunhado fenómenos paranormais na antiga casa dos Defeo.

 

Os cinco irmãos Defeo. À direita, em baixo, Ronald, que assassinou toda a sua família.

 

A casa onde os Defeo foram mortos.

 

A retirada dos Defeo de casa, depois de serem assassinados.

 

Pais e irmãos assassinados por Ronald.

 

Ronald foi condenado a 150 anos de prisão.

 

 

O Exorcista

No filme, uma menina de 12 anos, Linda Blair, começa a apresentar a alguns sintomas estranhos, que remetem para um quadro mental instável. No seu quarto passam-se fenómenos inexplicáveis. Depois da mãe a levar a alguns especialistas e de não obter qualquer tipo de resultado, ela coloca a hipótese da filha estar possuída por entidade demoníaca. É obrigada a chamar dois padres para realizarem um ritual de exorcismo, mas eles acabam por morrer quando não conseguem lutar contra aquela força sobrenatural.  Esta história é baseada na história de um menino de 13 anos, chamado Ronald Doe, que vivia em Maryland, no ano de 1949, com os seus pais e a sua avó. Diz-se que a sua tia Tillie, de quem era muito amigo lhe ensinou a mexer na tábua Ouija (tabuleiro com letras e números para comunicar com os mortos). Após a morte da tia, Roland continuou a usar a tábua para se comunicar com este membro da sua família, até ficar totalmente obcecado pela situação. A partir daí, conta-se que a família deste menino terá vivido momentos de terror. Ouviam-se sons estranhos pela casa, mas os pais de Roland apenas começaram a alarmar-se quando a cama e a cadeira onde o menino se sentava se moviam sozinhas. Roland começou a ter pesadelos e o seu comportamento era cada vez mais agressivo. Após ser visto por vários especialistas, sem que estes conseguissem resolver o problema, foi levado pelos progenitores até ao Cardeal O’Boyle, da igreja luterana, religião seguida pelos pais do rapaz, que assim que o recebeu testemunhou manifestações inexplicáveis: o telefone e outros objetos moveram-se e a sala ficou gelada. Roland falou com uma voz diabólica, dizendo palavras obscenas. Foi nessa altura que o Cardeal autorizou o primeiro exorcismo, que não foi bem-sucedido. Mesmo amarrado, Roland conseguiu retirar uma das molas do colchão onde estava deitado e atingiu na cara o seu exorcista, tendo este que levar cerca de 100 pontos. Quem conseguiu salvar Roland foi um padre católico, Bowdern, que pede permissão aos seus pais para batizá-lo. E perante as manifestações mais aterradoras, durante o segundo exorcismo, o padre chama por São Miguel Arcanjo, e ele recebe o batismo. O espírito do mal é expulso do corpo de Roland. O rapaz diz não se recordar de nada, apenas que acaba de ter uma visão do seu anjo da guarda, São Miguel. Esta família, onde ser terá passado este drama, ficou para sempre no anonimato, pois segundo os padres que testemunharam estes fenómenos, dessa forma conseguiriam preservar principalmente a identidade de Roland.

 

No filme o Exorcista, dois padres tentam lutar contra as forças do mal. Na vida real, foi o menino Roland Doe quem sofreu fenómenos inexplicáveis.

 

A psicografia – a manifestação dos espíritos pelo bem

Mesmo acreditando na manifestação dos desencarnados, os espíritas não creem na possessão demoníaca. Allan Kardec, o pai do Espiritismo, nunca quis usar o termo possessão, já que esta palavra é bastante associada aos demónios e para o espiritismo eles não existem. Apenas são reais os espíritos imperfeitos e dedicados ao mal. Assim sendo, não há para os seguidores desta linha de pensamento possessão física, mas sim subjugação, ou seja, coabitação de dois espíritos num mesmo corpo.

No entender dos Espíritas, as almas desencarnadas comunicam num corpo físico através de diferentes manifestações, sendo que uma delas é psicografia.  Esta técnica é utilizada pelos médiuns para escreverem um texto sob a influência de um espírito desencarnado.

Allan Kardec teve contacto com manifestações espíritas e nessa altura eram utilizados alguns métodos capazes de decifrar as mensagens dos desencarnados. Após uma fase experimental, a que se chamou “psicografia indireta” surgiu a “psicografia direta” ou “psicografia manual” onde os instrumentos rudimentares foram substituídos pela própria mão do médium. Esta técnica é usada até aos dias de hoje.

Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, realça a grande importância de desenvolver cada mais a psicografia, pois de todas as formas de comunicação com os desencarnados, esta técnica é a mais simples e mais completa e que permite estabelecer as relações permanentes com os espíritos. O seu mecanismo de sintonia é facilitado pelo automatismo proveniente do processo de escrita. E não há dúvidas que a mensagem escrita tem mais valor do que a falada, pois o seu conteúdo pode ser analisado ao pormenor mais tarde.

A inspiração que recebemos por parte dos espíritos, que nos influenciam para o bem ou para o mal, deve ser sempre decifrada, pois segundo os espíritas, as entidades aconselham-nos no caminho certo e no final desejam o nosso bem e nunca o nosso mal. 

 

 

Os diferentes médiuns psicográficos

 

Mecânicos – Movimentam as mãos escrevendo a mensagem dos espíritos, sem terem o domínio sobre a sua própria vontade, agindo como máquinas. Um exemplo disso foi Xico Xavier, um médium famoso do Brasil que inspirou milhares de pessoas. O médium psicográfico mecânico avança, sem interrupção, enquanto o espírito tiver algo para dizer. Neste caso, o médium não ter a menor consciência das suas ações nesse momento. Este é o médium com uma faculdade muito valiosa, principalmente se escreve numa língua que nunca dominou ou aprendeu.

 

Intuitivos – Estes médiuns recebem as mensagens dos desencarnados através de sintonia psíquica direta entre a sua mesma mente e a do espírito. Mas antes de escrevê-la, precisam de assimilá-la e só depois conseguem transmiti-la pelas suas próprias ideias. O médium intuitivo não é mais do que um intérprete. E antes de transmitir a mensagem da entidade, precisa compreendê-la.

 

Semimecânicos  - Estes são aqueles que sentem a mão a ser movimentada, mas que ao mesmo tempo têm a plena noção daquilo que escrevem. O movimento da mão do médium semimecânico tanto é independente da sua vontade, como é voluntário e facultativo. 

 

Inspirados – Esta é uma variação de médiuns intutivos, mas diferenciam-se dos outros por ser mais fácil distinguir o pensamento do espírito daquele que é do médium. Este tipo de mediunidade é um dom natural, que todas as pessoas têm em maior ou menor grau.

 

Todos podemos ser médiuns psicográficos?

Não existem provas, contra ou a favor, que nos digam que todos podem encaixar-se nalgum tipo de médium psicográfico e a melhor forma de se descobrir essa situação é submeter a pessoa à experiência. Mas aqueles que acreditam devem, obviamente, iniciar um curso básico de iniciação espírita e ter noção do que á afinal o espiritismo.