Ajude-se a si própria - Questione os seus Pensamentos
Questione os seus Pensamentos
Ivo Dias de Sousa, professor universitário e autor do livro “Um Coelho Cheio de Sorte”. Para sugestões e comentários: ivo@diasdesousa.org ou http://twitter.com/ivosousa2
(…) não és punido pelos
teus pensamentos mas sim por eles.
James Arthur Ray (Harmonic Wealth)
Não pense em elefantes brancos.
Vamos, faça um esforço para não pensar em elefantes brancos. Continue por cerca de 20 segundos. Eu espero.
Se quiser, aposto consigo como pensou mais em elefantes brancos nos últimos segundos do que no último mês. Estou certo, não estou?
Resistir aos nossos pensamentos não é a melhor forma de lidar com eles. Isto, se quisermos que eles se desvaneçam. Procurar resistir aos nossos pensamento, coloca-os sobre um “foco de luz”. Mais, na maioria dos casos, estamos a reforçá-los ao resistir-lhes.
Nós temos uma tendência para acreditar nos nossos pensamentos automaticamente, o que pode ser pouco conveniente. Por vezes, as nossas mentes estão povoadas de pensamentos que não nos ajudam. Alguns possíveis exemplos são: eu não mereço; sou estúpido; odeio este emprego.
Um coisa é certa, independente dos nossos pensamentos serem verdadeiros, se acreditarmos neles, eles têm consequências. Dois exemplos: se achamos que não merecemos uma dada coisa, pouco ou nada faremos para a obter; se consideramos que somos estúpidos, não iremos procurar aprender.
Serão os nossos pensamentos sempre verdadeiros? É fácil perceber que não. Casos claros disso são pensamentos como “ele não gosta de mim”. Para termos a certeza que “ele não gosta de mim” seria necessário termos a capacidade de lermos os pensamentos de outras pessoas. A realidade à nossa volta não coincide, muitas vezes, com os nossos pensamentos. Para o bem e para o mal, a realidade está cheia de surpresas.
Não devemos acreditar em tudo o que nos dizem. As razões são várias. Nem sempre as pessoas são honestas. Mesmo que sejam honestas, quando têm interesses envolvidos, existe a tendência para defender determinado ponto de vista. E mesmo que sejam honestas e não tenham qualquer interesse directo, podem estar enganadas. Desculpe dizer-lhe-lhe isto: nem tudo o que pensa sobre si e o mundo à sua volta é verdade. Questione os seus pensamentos e crenças que estão a impedi-la de ser mais feliz e de obter mais sucesso[1]. À medida que for questionando os pensamentos e crenças que a prejudicam, estes tenderão a desvanecer-se. Pessoalmente, gosto de proceder da seguinte forma. Primeiro, identifico um pensamento/crença que julgo merecer ser questionado. Idealmente, coloco essa crença no papel como o resto do processo. Porém, em situações como os transportes públicos isso não é possível nem conveniente.
Depois, faço duas perguntas em relação ao pensamento/crença identificado:
Sei, de certeza, que [o pensamento/crença identificado] é verdade? Sei, de certeza, que [o pensamento/crença identificado] é importante neste momento?
Lembre-se que é a sua mente que tem de justificar se é verdade e importante. Se respondeu não à primeira pergunta, é meio caminho andado para responder que não é importante. Como é que um pensamento que não temos a certeza de ser verdade pode ser importante?
Vamos supor que respondeu “Sim”, de uma forma convincente, à primeira pergunta. Mesmo assim, o seu pensamento/crença pode não ser importante. Algumas possíveis razões para não ser importante: referir-se a algo que já passou. Outra, é ter pouca importância em relação a tudo o que a rodeia. Uma terceira possível razão, é não poder fazer nada para alterar a situação a que o pensamento/crença se refere. Ainda uma quarta razão, é já ter pago (por exemplo, com infelicidade) mais do que o suficiente. Sugiro que experimente e avalie por si os resultados. Repita as perguntas durante alguns dias. No meu caso, os pensamentos/crenças incómodos tendem a desaparecer.
Ajude os outros, mas comece por si.
